\\ O Sindicato

A História do Sinpro/Noroeste

Publicada em 21/10/2010.

 

Quem somos

O Sinpro-Noroeste é o sindicato que representa os professores do Ensino Privado do Município de Ijuí, Rio Grande do Sul (escolas particulares, escolas de idiomas, escolas infantis particulares - antigas creches- universidades particulares e demais estabelecimentos de ensino privado, nos diversos níveis de formação).

É filiado a FeteeSul (federação, nível estadual), à Contee (confederação, em nível nacional) e à CUT (Central Única dos Trabalhadores).

 

Histórico

A fundação do Sinpro-Noroeste ocorreu em 1984, momento de ebulição dos movimentos populares e sindicais. No dia 25 de agosto, uma assembléia de professores deu início a associação que englobava os docentes dos estabelecimentos privados de ensino de Ijuí. A finalidade era formar um novo sindicato, de representação local, para estudar, organizar e coordenar a defesa de interesses econômicos e profissionais. Com isso, pretendia-se suprir o vácuo deixado pelo Sinpro-RS, que, por sua estrutura burocratizada, não dava espaço para a participação da base e interessava-se mais pelas grandes instituições da região de Porto Alegre. Num “movimento de rebelião”, como procurou definir Dinarte Belato, professor sócio-fundador do Sinpro-Noroeste, os docentes do município conseguiram se desvincular do sindicato estadual. A partir de então, os professores atuaram na estruturação do Sinpro-Ijuí, confirmada em 1986, com a conquista da Carta Sindical.

Os primeiros anos do sindicato caracterizaram-se por forte motivação dos associados. Neste período, as dificuldades com a afirmação do sindicato e problemas decorrentes da pouca estrutura material e de trabalhadores foram marcantes. Os associados atuaram na busca da regionalização da entidade, num projeto que determinou a mudança de nome para Sinpro-Noroeste, atual nomenclatura da entidade.

Nos seus 20 anos de história, o Sinpro-Noroeste consolidou um envolvimento com a comunidade, forte identidade com a participação da base, defesa dos interesses dos associados e promoção cultural. Desde 2001, o Sinpro-Noroeste é coordenado por uma diretoria colegiada, com 24 membros, componentes da diretoria executiva, conselho fiscal e representantes de base. No atual sistema, as decisões são tomadas coletivamente e há divisão de tarefas entre os vários líderes. Hoje, o Sinpro-Noroeste atinge 60% da base de professores vinculados aos Estabelecimentos de Ensino Privado de Ijuí.

 

Primeiros anos

1984, com seus movimentos e intensas mobilizações, foi um marco para os trabalhadores do município. Empurrados pela vontade de participar e com o anseio de aprimorar a discussão com as entidades patronais, os docentes resolveram formar o Sinpro em Ijuí. Dinarte Belato, sócio fundador, relata uma parte da experiência: “tínhamos diante de nós a condição: ou nos mantínhamos associados ao Sinpro-RS e éramos ignorados ou fazíamos nosso sindicato num movimento de rebelião. Então, fomos à Assembléia do Sinpro-RS defender a criação do nosso sindicato. Não podíamos fazer nosso sindicato sem que a assembléia do Sinpro-RS permitisse, porque significava um fracionamento. Eu me recordo como se fosse hoje. Foi um embate duríssimo... E, na verdade, nós ganhamos por força da oposição sindical, que nos apoiou nos momentos de defesa e, principalmente, na votação. Esse contexto e embate fortificaram muito o sindicato e deram uma legitimidade significativa”.

Os primeiros passos da associação foram dados sob a liderança de Eliezer Pacheco, juntamente com José Vicentini, Ivaldo Gehlen, Antônio Prado, Maria Mendes e Valmir da Rosa. A primeira diretoria foi eleita logo da conquista da Carta Sindical, confirmando Eliezer Pacheco como primeiro presidente. Para o professor, hoje presidente do Inep/MEC, “o Sinpro-Noroeste se legitimou muito rapidamente, embora as dificuldades decorrentes de sua natureza municipal e o vínculo de associados vinculados a quase exclusivamente uma empresa (Fidene). De outro lado, alguns colegas negavam a existência de relações de trabalho empregado-empregador na Fidene e, portanto, se recusaram a participar do sindicato. Isto, entretanto, foi superado rapidamente e a grande maioria dos colegas se engajou no mesmo”.

Quando Eliezer Pacheco se licenciou, para atuar no Cpers, assumiu em seu lugar Paulo Tiellet. Em entrevista ao sindicato por ocasião do 15º aniversário, Tiellet disse que “a criação do sindicato representou um avanço nas lutas sociais organizadas de todos os trabalhadores de Ijuí. Era um importante segmento orgânico e político que até então vivia um distanciamento dos acontecimentos da categoria”.

 

Motivação e dificuldades

Os primeiros anos foram difícies. A coexistência de outras associações de professores deixava os docentes em dúvida quanto a entidade representativa. Além disso, o Sinpro-Noroeste não podia discutir com mantenedoras de escolas que tinham sua sede fora do município. “Tínhamos um sindicato em formação. Quando eu assumi, havia uma salinha, onde cabia uma cadeira, uma mesa, uma máquina de escrever e uma calculadora. Tudo emprestado. Nem contabilidade havia. Então, nossa decisão foi a de equipar o sindicato nos sentidos material e político”, disse o segundo presidente eleito, Agenor Castoldi. A idéia era conseguir uma sede, materiais, funcionários e também fazer com que os professores simpatizantes do sindicato se filiassem e passassem a contribuir com a entidade. “Buscamos pessoas ponte nas escolas, locais onde o sindicato tinha mais dificuldade em entrar”. O professor conta que a negociação entre Ensino Básico e Superior era separada e que os docentes da universidade tinham uma defasagem no salário base com relação a outros lugares. “A entidade ganhou legitimidade e, quando houve a unificação das lutas com outros sindicatos, os avanços foram ampliados”.

 

Informação, cultura e participação

A atividade do Sinpro-Noroeste se expandia. “Naqueles anos, reconstruímos a entidade, modificando profundamente o vínculo com os associados”, diz o terceiro presidente eleito, Remi Shorn. O informativo passou de duas para 12 páginas e depois para 24, com a confecção da Revista Informação. De um funcionário, a sede passou a quatro. A criação da videoteca atraiu um vasto público ao sindicato. “Tínhamos a idéia de que o sindicalismo não precisava se dar só de corpo presente, mas podia acontecer nas escolas, nas conversas sobre a revista, nas atividades de qualificação”. Assim, iniciou o auxílio evento e a devolução das sobras da contribuição assistencial. “Muita gente que nunca tinha vindo ao sindicato passou a freqüentar a sede”, diz Remi.

As promoções culturais foram intensificadas, num convênio com o Sesc, e peças ousadas colocaram o Sinpro-Noroeste em evidência. Além dessa relação com associados e comunidade, muitas batalhas foram empreendidas na década de 1990, quando o sindicato assumiu o papel de denunciar irregularidades. A atuação durante as greves também foi decisiva na defesa da categoria.

 

Novo estatuto e diretoria colegiada

O crescimento do sindicato acompanhou uma nova atuação da diretoria. “Distribuímos os cargos nas secretarias, descentralizamos funções e méritos”, conta Remi. Esse foi o primeiro passo para a revisão estatutária, que colocou em prática as idéias que vinham sendo experimentadas no cotidiano do sindicato. Com o modelo de diretoria colegiada, assumiu o professor Valdir Kinn, já em 2001.

“Foi um período de transição”, resume Kinn. “Mesmo que antes já adotássemos uma conduta democrática, persiste uma certa cultura presidencialista. Foram anos de aprendizado para todos os diretores, pois as decisões passaram a depender de uma discussão prévia, negociação e, na maioria das vezes, de um concenso”. A gestão já assumiu com o compromisso de mobilizar a categoria em função dos atrasos e arrochos salariais da Fidene.

“Os embates foram intensos”, lembra Kinn. As negociações coletivas enfrentaram um patronato mais fechado à discussão, com propostas de redução dos direitos dos trabalhadores. “Com muitas reuniões, conseguimos manter as cláusulas e atingir a reposição dos índices inflacionários”. Ao mesmo tempo em que participava das discussões salariais, o Sinpro-Noroeste também enfocou questões nacionais, como a Reforma Sindical e a Reforma Previdenciária. Com seriedade nos debates foi possível construir um novo acordo com a Fidene, tratando sobre os descontos para dependentes e para a formação em nível de graduação aos docentes. Também uma pesquisa sobre saúde do trabalhador foi construída. A preocupação com a promoção de eventos culturais, peças de teatro, apresentação de músicos e integração dos associados persistiu durante todo o tempo.

 

Cultura e mobilização

Cultura, com todos os cheiros, sabores, jeitos e maneiras. A cultura é uma herança de hábitos, de língua, de representação sobre pai e mãe, de relações sociais, políticas, econômicas. Mas é desta cultura que também emerge a cultura de todos os dias, a arte do belo, com concertos, teatros, a produção da beleza, o modo de fazer e criar peculiar de cada povo, a prosa, os versos... A cultura, com suas diferentes manifestações, pode ser canal interativo e também veículo de comunicação para difundir as idéias do sindicato. Ao investir em cultura, se propicia condições de revelar a identidade nacional e local e de integrar os associados.

Por isso, durante toda a história, o Sinpro-Noroeste atuou na área cultural. Diversas peças teatrais foram trazidas ao município, com apoio do Pró Arte e do Serviço Social do Comércio - Sesc. Além disso, em 1999, o Sinpro-Noroeste promoveu show com Nei Lisboa, apoiando, mais tarde, a participação da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e o show com integrantes dos Tapes.

Além da área cultural, a história do Sinpro-Noroeste está diretamente ligada às mobilizações sindicais e populares. Foram realizados diversos seminários sobre sindicalismo e relações de trabalho, em certas ocasiões com músicos, como Antônio Gringo, e debates sobre conjuntura econômica, com participação de lideranças políticas. Os associados também participaram das edições do Fórum Social Mundial, do Fórum Mundial de Educação, manifestações do Dia do Trabalhador, Grito dos Excluídos, Marcha dos Sem e muitos outros. Em 2002, destacaram-se as atividades da campanha do plebiscito sobre a Alca, com realização do seminário e participação ativa na votação. O seminário mobilizou mais de 500 pessoas e o sindicato também atuou no cuidado das urnas do plebiscito. Em 2003, a luta contra a guerra foi assumida pela entidade e, mais tarde, a participação nos projetos de economia solidária se acentuou.

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