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Plenária Interestadual da CUT aprova Carta Compromisso

Publicada em 19/07/2018.

Ao final da Plenária Interestadual da CUT, realizada na última sexta-feira (13), no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa, em Porto Alegre, os mais de 500 participantes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná aprovaram por unanimidade a Carta Compromisso de Porto Alegre.

O texto foi apresentado pelo secretário-geral adjunto da CUT-RS, Amarildo Cenci. Após manifestações de dirigentes sindicais dos três estados, ganhou alguns acréscimos, ficando mais completo para fortalecer a atuação da CUT, a fim de enfrentar os desafios da classe trabalhadora no próximo período.

Leia a íntegra do documento:

CARTA COMPROMISSO DE PORTO ALEGRE

Frente à gravidade da crise econômica, do ataque às instituições democráticas e da cristalização do estado de exceção, patrocinada por amplos setores do judiciário brasileiro, as CUTs Estaduais da região Sul, no dia 13 de julho de 2018, reunidas em plenária interestadual com mais de 400 dirigentes sindicais do RS, SC e PR, em Porto Alegre, assumem os seguintes compromissos.

Uma parcela importante do povo brasileiro, ao expressar seu apoio a Lula, revela o seu descontentamento com as medidas do governo golpista. A saudade da era-Lula sinaliza que a única saída é a troca de projeto que governa o país e a remoção de todo o entulho golpista.

Lula foi condenado pela mídia golpista, encarcerado sem provas por um judiciário porta-voz das elites, partidário das políticas neoliberais e teleguiado pelos órgãos de segurança dos EUA. Sua voz foi silenciada e suas pernas imobilizadas. Mas nós estamos livres e podemos falar, discursar, ouvir, convencer, panfletear, etc.

A convocação que Lula fez para sermos sua voz, suas pernas e seu coração, será assumida por nós. A maior demonstração de compromisso e solidariedade com o Lula neste momento é reavivar o espírito militante, utilizando os nossos pés para ir ao encontro da classe trabalhadora. quantas vezes seja necessário. e a nossa voz para elevar o nível de consciência e mobilização.

Para criarmos uma nova esperança em um país que valorize o trabalho e os trabalhadores e que distribua suas riquezas, precisamos de um intenso trabalho de politização, organização e construção de alternativas junto à classe trabalhadora. Sem uma nova emergência da classe trabalhadora, similar à década de 80, não deteremos esta avalanche golpista. A disputa por um Brasil para todos e todas é um ato coletivo, que requer preparo e uma militância tenaz e inteligente.

Para que a esperança vença o medo e a descrença na política seja superada, a classe trabalhadora precisa tomar as rédeas e nós somos responsáveis para que isto ocorra. Doravante, a luta corporativa do dia a dia estará vinculada com a política mais geral do país, pois sabemos que a luta meramente corporativa tem pouca chance de prosperar nesta conjuntura.

Isolados somos presa fácil dos inimigos da nossa classe. A resistência e a vitória exigem de nós união e direcionamentos claros. Não temos tempo para desperdiçar com burocracias. TODA UNIDADE DO CAMPO CUTISTA e com as demais centrais sindicais e as forças vivas de esquerda e dos movimentos sociais! A nossa tônica e prática política deve apontar para disputas de projeto classista e de denúncia dos nossos inimigos de classe.

A reforma trabalhista ataca frontalmente os direitos dos trabalhadores e a organização sindical. A CUT, forjada na luta por direitos e democracia, está desafiada a responder com um sindicalismo forte. Neste sentido, é estratégico investir na ampliação da nossa representatividade através de campanha de sindicalização e organização no local de trabalho.

Devemos priorizar a formação política dos dirigentes sindicais, sobretudo os novos dirigentes sindicais que estão ingressando recentemente nas nossas entidades. Outro desafio, muito importante, é o aperfeiçoamento dos nossos instrumentos de comunicação para que consigam disputar ideias e projetos junto aos trabalhadores e a sociedade.

Na nossa agenda imediata nos comprometemos coletivamente com dois momentos fundamentais. Em 10 de agosto faremos o DIA NACIONAL DO BASTA. Basta de desemprego, basta de saque às nossas riquezas, basta de reforma trabalhista, basta da PEC da Morte que destrói as políticas sociais de saúde e educação, basta de aumento no preço dos combustíveis, basta de desigualdades, basta de privatizações!

Para que o DIA NACIONAL DO BASTA ecoe na região Sul, precisamos investir na sua preparação. Nos próximos dias realizaremos reuniões ampliadas, com os ramos e sindicatos de base estadual nos três estados da região Sul para organizar a realização de assembleias nos locais de trabalho, paralisações e atos de protestos.

As entidades filiadas à CUT e simpatizantes presentes nesta plenária priorizarão e fortalecerão as ações programadas para o DIA NACIONAL DO BASTA. A CUT produzirá materiais de agitação e propaganda que serão replicados pelas entidades sindicais. A nossa mensagem precisa chegar nas mentes e no coração da classe trabalhadora da região Sul.

O dia 5 de agosto será dedicado para panfletagens, colagens e atos de lançamento dos comitês sindicais. O sucesso do dia 10 de agosto nos motivará para campanha eleitoral.

As eleições de outubro marcarão uma etapa decisiva na luta contra os golpistas e as elites brasileiras. Será a “campanha salarial” mais importante das nossas vidas e da geração que nos últimos 30 anos de luta por direitos e democracia e contra os poderosos.

Munidos da PLATAFORMA DA CUT PARA AS ELEIÇÕES DE 2018 (Revogar as medidas do golpe, retomar a geração de empregos e o caminho do desenvolvimento; Defender a democracia, a cidadania e os direitos humanos, valorizar o trabalho com a garantia de emprego, trabalho e renda de qualidade; Resgatar, fortalecer e democratizar o estado e os serviços públicos, com equilíbrio fiscal e justiça tributária; sistema financeiro como instrumento para promoção do desenvolvimento econômico e social, com controle da especulação financeira e do rentismo; Indústria e infraestrutura promovendo o desenvolvimento; Implantar a reforma agrária e fortalecer a agricultura familiar para a segurança alimentar e o desenvolvimento rural sustentável e solidário; Saúde, previdência e assistência – inclusiva, distributiva e solidária; Educação e cultura; garantir o direito à cidade; Garantir segurança pública; igualdade para mulheres, jovens e negros e negras; Garantir comunicação e serviço do povo; Garantir soberania, paz e integração), a nossa maior tarefa para os próximos dias é fortalecer os comitês sindicais existentes e criar novos comitês Lula Livre-Lula Presidente. Precisamos instalar comitês nas categorias, nos municípios, nos locais de trabalho.

Cabe a nós, que somos o polo mais consciente e organizado da classe trabalhadora brasileira, imprimir dinamismo aos comitês com reuniões periódicas e tarefas concretas: panfletagem, colagem, presença nos locais de trabalho e nas comunidades. As CUTs Estaduais da região Sul assumem o compromisso de lançarem no dia 5 de agosto COMITÊS ESTADUAIS para coordenar e dinamizar este processo, sobretudo nas regiões metropolitanas.

Temos clareza que os comitês são ferramentas organizativas para qualquer cenário que se impuser a partir de 2019. Se sairmos vitoriosos, os comitês serão a base para operarmos as mudanças estruturais necessárias e retomar o desenvolvimento econômico com geração de empregos de qualidade. Se derrotados, necessitaremos nos aglutinar nos comitês para resistir de forma mais coesa.

Além disso, é preciso DESELEGER a base parlamentar que votou a favor do golpe, que aprovou a a PEC da Morte, a reforma trabalhista e deu sustentação a esse governo. Para isto, nos empenharemos de forma sistemática para publicizar as maldades e as imagens dos golpistas com mandato federal.

Os dirigentes CUTistas, reunidos nesta plenária interestadual, aprovam esta carta compromisso com disposição de cumprir o papel histórico que lhes foi reservado.

Porto Alegre, 13 de julho de 2018.

CUT-PR, CUT-SC e CUT-RS